SABÃO, ARTE E FILOSOFIA

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A BASE SECA (NOODLES) VIROU SUCESSO


O CUSTO IDEAL
Quase dois anos de trabalho exaustivo, muita ajuda dos que a empregaram em seus produtos, informações de muitas regiões do Brasil e, enfim, chegamos a uma base ideal e a um custo viável e bastante compensador.
O grande problema de uma base glicerinada é o preço, pois seu custo é absolutamente regulado pelo mercado de matérias-primas, portanto, para cada quilo de material aplicado à base na indústria incide o valor do material empregado mais a mão de obra e energia necessárias para sua confecção.
Até hoje o modo mais utilizado para “competir” no mercado é de adicionar peso sem custo ou pelo menor custo possível, como o sabão é um “SAL” verdadeiramente “milagroso” ele absorve quantidades imensas de água, logo, muitos fabricantes e revendedores, vamos dizer, “não muito ortodoxos” usam e abusam desse método (já postamos matéria sobre esse ato lesivo), assim, a matéria-prima sobe de preço regulada pelo mercado (até internacional) e a base glicerinada mantém o preço por anos “regulada” pela “quantidade de água” e, logicamente, o consumidor {artesão(ã)} pensa quebase glicerinada é um produto “barato”, apenas não entende porque depois de alguns dias seu sabonete feito com tanto carinho e muito trabalho tem o seu peso reduzido a menos da metade e fica igual a um “torresmo” mal frito e “fedendo” sebo estragado.
Bem, um dia tive a idéia de eliminar determinados custos sem “contaminar” o produto, pois isso não é honesto.
Assim, pensei que se eu retirasse todos os líquidos do produto na maior quantidade possível eliminaria de pronto os custos de entrega (Correios e outros) que cobram pelo peso, portanto, o transporte de água, álcool e açúcar é muito maior num produto que o contém do que custa lá no local de quem o usa diretamente, é claro; a água está presente em todas as torneiras a preço acessível (sem frete), o álcool transportado em volumes monstruosos regula o preço de fretagem por natureza da própria operação e o açúcar pelos mesmos motivos do álcool tem seu preço altamente diferenciado da sua presença na base glicerinada.
Assim foi feito, só que não é fácil controlar como cada “operador” manipula a base e chegar a um produto que atenda todas as necessidades em variadas condições é trabalho demais, mas, como existe a intenção de oferecer no mercado um produto melhor e mais técnico, depois de muito esforço e investimento foi produzida uma base que atende o maior número de artesãos(ãs) possível.
E isso tem sido muito elogiado por todos que hoje manipulam essa base, pois, em primeiro lugar ela é absolutamente natural, além do que é puramente vegetal e produzida com gorduras alimentícias da melhor procedência e, finalmente, permite ao artista do sabonete decidir seu próprio conteúdo de líquidos e cargas, sendo assim todos são capazes de gerar sua própria matéria-prima com seu próprio custo “interno” sem pagar “lucro” pela mão de obra alheia, frete e até impostos na aquisição de água e outras cargas.
Ela pode ser aditivada, clareada, colorida, perfumada, de fato, ela pode ser inteiramente processada pelo próprio artesão(ã) como se faz na indústria só que a um custo muito menor e isso, além de “ele” ser o verdadeiro “dono” do seu sabonete e conhecedor da arte que faz.
Obrigado a todos que elogiaram o produto que hoje ajuda no vosso trabalho e aos que me ajudaram informando os vários problemas que enfrentaram possibilitando alterações que resolveram praticamente todos os entraves possíveis de ocorrer.
Sua base hoje não é aquela “branquinha” “encolhível” e ordinária que vendem por aí, porém a “amarelo” lindamente transparente e natural que cuida da sua pele e, muito melhor, VOCÊ MESMO FÊZ!!!

OBRIGADO, Marcus Siviero.

sábado, 17 de abril de 2010

TEMPOS NUBLADOS


A verdade é amarga.

O meu tom hoje é infelizmente a amargura, mas, ainda assim, vou tentar tirar proveito dessa negatividade e lançar um alerta aos entusiastas do empreendimento.

O Sabão-Nosso-de-Cada-Dia vem recebendo um número crescente de seguidores e leitores, todos os dias tenho respondido vários e-mail’s (será que isso é o plural?) e comentários.

Dentre todos esses contatos devo informar que um número significativo e crescente de leitores vem me questionando sobre como dar início a um negócio próprio nos moldes da saponificação ou mesmo cosmética e perfumaria.

Não me qualifico para aconselhar ou desaconselhar ninguém, contudo, me vejo na obrigação de transmitir alguns dados fáticos inegáveis.

Empreender no Brasil tem sido temerário, particularmente nesses últimos tempos.

Eu sou contra???

De forma alguma!!! Penso que cada um faz o que quer, mas para isso não é necessário perguntar, pois até parece que quando se diz algo a favor ou contra o interessado se isenta de culpa e, talvez, pudesse afirmar; “... — Mas foi o que ele disse...”.

Serei realista e, de certa forma, me envolvo em certo risco, pois é óbvio que o que vai a seguir incomoda “muita gente”, principalmente quem tira grande vantagem do pobre empreendedor.

Os fatos são:

1º) — O povo brasileiro é singelo instrumento de arrecadação, isso é inegável.

2º) — A mídia é suportada “e bem protegida” pelo poder para motivar a população a aumentar os níveis de arrecadação, esse é outro fato incontestável.

3º) — Os empreendimentos divulgados por seus prováveis sucessos poderiam ser contados em um pequeno “saquinho de pipocas” se comparado aos milhões de empreendimentos que lutam desesperadamente para sobreviver (desconsidero os que já sucumbiram), até porque, é quase impossível voltar atrás em um negócio estabelecido, pois se é um absurdo dar início a uma empresa qualquer, teremos um absurdo à “enésima” potência para encerrá-la legalmente.

4º) Aquela estatal que divulga publicidade enganosa de incentivo a pequena e micro empresa é mera agência de informações e uma fantástica fonte de arrecadação e incentivo ao trabalho “quase”, senão mesmo, escravo, pois o empreendedor brasileiro trabalha desesperadamente apenas para suprir o Estado por meio da carga tributária criminosa.
As divulgadas isenções dos micro e pequenos não isenta essas entidades da tributação paga na aquisição das mercadorias e matérias-primas e, na hora da venda estas ficam em desvantagem com as que creditam os compradores da parcial tributação antecipada, isto é, um quilo de “areia” custa X + imposto, esse é o custo do micro e pequeno empresário e na venda esse custo não credita o comprador, logo os “pequenos” só tem meios competitivos com o consumidor e, ainda assim, com o tributo embutido no custo.

5º) Devo ainda salientar que o pleno estabelecimento legal no Brasil é proibitivo senão, impossível, todas as empresas são deliberadamente mantidas na irregularidade por dificuldades burocráticas com o firme propósito do Estado em mantê-las com pendências legais e comprometidas com o sistema fiscal, ambiental, consumerista, trabalhista e infinitos outros sem solução indefinidamente para ser possível oferecer a “venda” por preços pornográficos a legalidade.

Se alguém não entendeu eu explico!! Tente fazer a legalização do seu estabelecimento sem um “escritório especializado” em determinados trâmites “técnicos”, escritórios esses que sempre tem um “dedinho” de alguém do Órgão que exige as especificações que liberam as certificações ou alvarás. Começa pela documentação contábil, caminha pelas licenças de funcionamento diversas, liberações ambientais, conselhos profissionais de todos os tipos, sindicatos infinitos, departamentos de regulamentação de produtos, controle de produtos diversos, principalmente os químicos e por aí vai, de fato, desconheço fim.

Se eu sou contra a regularização????

Nem de longe!! De forma nenhuma!!! A regulamentação é necessária e obrigatória até por princípio doutrinário de convivência social.

Os “detalhes” de obtenção dessas obrigações é que são criminosos.

Eu vou “desenhar ta”?

“Curso de massinha 1”

Se você proceder com todo o empenho e dedicação, corretamente e com os procedimentos absolutamente certos, der entrada você mesmo no protocolo e pelos “canais” (digamos) “equivocados” nada será aprovado, tudo estará errado e em desacordo com as normas de número ISO, TIO, DINA, USB, SACA, NAG, EM, entre infinitas outras normas técnicas. PORÉM, APENAS PORÉM, SE VOCÊ CONTRATAR AQUELE ESCRITÓRIO (XYZ) QUE CONHECE “TODOS” OS PROCEDIMENTOS, MESMO COM MUITOS FUROS O PROJETO PASSA.

A legalidade brasileira é feita de papel, esse é o fato.
Aquele seu entusiasmo inicial acaba na sarjeta e você, via de regra, endividado até a alma, aí os “mesmos” Órgãos dizem que a falta de experiência dos empresários é que causa a “morte prematura” dos empreendimentos no Brasil.

Você então, me pergunta “ ... — por que você está estabelecido..?”
Porque eu não tive alguém para perguntar!!! Além do que, a idade do meu empreendimento é dos tempos de “felicidade”, nostálgico, porém real.

O artesão (ã) é um empreendedor mantido pelas circunstâncias (ao menos a grande maioria) na informalidade, mas notem, o Brasil está hoje nas mesmas condições sociais do período do descobrimento, os nativos (hoje o povo) vendem miçangas e as grandes corporações que manipulam o poder nos levam o ouro e as riquezas com toda a aprovação dos “caciques”!!!!!!

Se por dizer a verdade não me tirarem do ar, está aí o meu ponto de vista, mas façam o que quiserem é vosso direito.

Espaço para tristeza


O Sabão-Nosso ficou um tempo sem postar, peço-vos desculpas por isso, mas o luto me obrigou, então, também vos peço licença para não comentar.

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