SABÃO, ARTE E FILOSOFIA

sábado, 17 de abril de 2010

TEMPOS NUBLADOS


A verdade é amarga.

O meu tom hoje é infelizmente a amargura, mas, ainda assim, vou tentar tirar proveito dessa negatividade e lançar um alerta aos entusiastas do empreendimento.

O Sabão-Nosso-de-Cada-Dia vem recebendo um número crescente de seguidores e leitores, todos os dias tenho respondido vários e-mail’s (será que isso é o plural?) e comentários.

Dentre todos esses contatos devo informar que um número significativo e crescente de leitores vem me questionando sobre como dar início a um negócio próprio nos moldes da saponificação ou mesmo cosmética e perfumaria.

Não me qualifico para aconselhar ou desaconselhar ninguém, contudo, me vejo na obrigação de transmitir alguns dados fáticos inegáveis.

Empreender no Brasil tem sido temerário, particularmente nesses últimos tempos.

Eu sou contra???

De forma alguma!!! Penso que cada um faz o que quer, mas para isso não é necessário perguntar, pois até parece que quando se diz algo a favor ou contra o interessado se isenta de culpa e, talvez, pudesse afirmar; “... — Mas foi o que ele disse...”.

Serei realista e, de certa forma, me envolvo em certo risco, pois é óbvio que o que vai a seguir incomoda “muita gente”, principalmente quem tira grande vantagem do pobre empreendedor.

Os fatos são:

1º) — O povo brasileiro é singelo instrumento de arrecadação, isso é inegável.

2º) — A mídia é suportada “e bem protegida” pelo poder para motivar a população a aumentar os níveis de arrecadação, esse é outro fato incontestável.

3º) — Os empreendimentos divulgados por seus prováveis sucessos poderiam ser contados em um pequeno “saquinho de pipocas” se comparado aos milhões de empreendimentos que lutam desesperadamente para sobreviver (desconsidero os que já sucumbiram), até porque, é quase impossível voltar atrás em um negócio estabelecido, pois se é um absurdo dar início a uma empresa qualquer, teremos um absurdo à “enésima” potência para encerrá-la legalmente.

4º) Aquela estatal que divulga publicidade enganosa de incentivo a pequena e micro empresa é mera agência de informações e uma fantástica fonte de arrecadação e incentivo ao trabalho “quase”, senão mesmo, escravo, pois o empreendedor brasileiro trabalha desesperadamente apenas para suprir o Estado por meio da carga tributária criminosa.
As divulgadas isenções dos micro e pequenos não isenta essas entidades da tributação paga na aquisição das mercadorias e matérias-primas e, na hora da venda estas ficam em desvantagem com as que creditam os compradores da parcial tributação antecipada, isto é, um quilo de “areia” custa X + imposto, esse é o custo do micro e pequeno empresário e na venda esse custo não credita o comprador, logo os “pequenos” só tem meios competitivos com o consumidor e, ainda assim, com o tributo embutido no custo.

5º) Devo ainda salientar que o pleno estabelecimento legal no Brasil é proibitivo senão, impossível, todas as empresas são deliberadamente mantidas na irregularidade por dificuldades burocráticas com o firme propósito do Estado em mantê-las com pendências legais e comprometidas com o sistema fiscal, ambiental, consumerista, trabalhista e infinitos outros sem solução indefinidamente para ser possível oferecer a “venda” por preços pornográficos a legalidade.

Se alguém não entendeu eu explico!! Tente fazer a legalização do seu estabelecimento sem um “escritório especializado” em determinados trâmites “técnicos”, escritórios esses que sempre tem um “dedinho” de alguém do Órgão que exige as especificações que liberam as certificações ou alvarás. Começa pela documentação contábil, caminha pelas licenças de funcionamento diversas, liberações ambientais, conselhos profissionais de todos os tipos, sindicatos infinitos, departamentos de regulamentação de produtos, controle de produtos diversos, principalmente os químicos e por aí vai, de fato, desconheço fim.

Se eu sou contra a regularização????

Nem de longe!! De forma nenhuma!!! A regulamentação é necessária e obrigatória até por princípio doutrinário de convivência social.

Os “detalhes” de obtenção dessas obrigações é que são criminosos.

Eu vou “desenhar ta”?

“Curso de massinha 1”

Se você proceder com todo o empenho e dedicação, corretamente e com os procedimentos absolutamente certos, der entrada você mesmo no protocolo e pelos “canais” (digamos) “equivocados” nada será aprovado, tudo estará errado e em desacordo com as normas de número ISO, TIO, DINA, USB, SACA, NAG, EM, entre infinitas outras normas técnicas. PORÉM, APENAS PORÉM, SE VOCÊ CONTRATAR AQUELE ESCRITÓRIO (XYZ) QUE CONHECE “TODOS” OS PROCEDIMENTOS, MESMO COM MUITOS FUROS O PROJETO PASSA.

A legalidade brasileira é feita de papel, esse é o fato.
Aquele seu entusiasmo inicial acaba na sarjeta e você, via de regra, endividado até a alma, aí os “mesmos” Órgãos dizem que a falta de experiência dos empresários é que causa a “morte prematura” dos empreendimentos no Brasil.

Você então, me pergunta “ ... — por que você está estabelecido..?”
Porque eu não tive alguém para perguntar!!! Além do que, a idade do meu empreendimento é dos tempos de “felicidade”, nostálgico, porém real.

O artesão (ã) é um empreendedor mantido pelas circunstâncias (ao menos a grande maioria) na informalidade, mas notem, o Brasil está hoje nas mesmas condições sociais do período do descobrimento, os nativos (hoje o povo) vendem miçangas e as grandes corporações que manipulam o poder nos levam o ouro e as riquezas com toda a aprovação dos “caciques”!!!!!!

Se por dizer a verdade não me tirarem do ar, está aí o meu ponto de vista, mas façam o que quiserem é vosso direito.

3 comentários:

  1. AH MARCUS QUE BOM QUE VC VOLTOU, AMIGO !!!! Gostei da colocação, mas...o que fazemos então ? continuamos na ilegalidade ? é uma situação complicada....bjs
    Beth Bacchini, com muita saudade da nossa prosa

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  2. Achei ótimo seu ponto de vista e por assim dizer, muito real.
    Sou farmacêutica e tive, há um certo tempo, uma farmácia de manipulação onde produzia cosméticos. O excesso de normatizações (não os impostos) me fizeram desistir desse mundo e hoje tenho medo de voltar, não para farmácia, mas para qualquer tipo de empreendimento, devido às inúmeras de normas que devem ser seguidas. O governo (mais especificamente a Anvisa) diz que tais normas são para proteger a população. Até parece que cosmético já matou alguém!!!Nem se a pessoa comer 1 quilo de sabonete! Ao contrário das indústrias farmacêuticas que estão sempre retirando algum lote de medicamento do mercado. Sem falar de orgãos do governo, como o próprio SUS, responsável por inúmeros óbitos por não oferecer atendimento adequado. Bom isso já é outra história, mas que de alguma forma se enquadra no contexto de proteção que o governo diz estar oferencendo com seu excesso de normas, as quais favoressem as multinacionais e as grandes empresas que visam dominar o mercado e as exportações.
    Sei que existe um excesso de impostos também, mas na minha opnião, o que dificulta a legalização de pequenas produções são as abusivas normas de controle de qualidade, entre outras. Para mim, se o empreendedor já chegou ao ponto de ver dificuldade nos impostos ele está bem! Significa que conseguiu montar a estrutura física de sua empresa! Isso porque, montar uma empresa de cosméticos completamente legalizada, notificar e registrar os produtos e difissílimo!!! O investimento é alto demais! Não sei se vale a pena. Digo isso, porque já pensei a respeito várias vezes e sempre acabo desistindo.
    Talvez o Brasil queira que muitos trabalhem na ilegalidade... No caso dos cosméticos, o problema é conseguir matérias primas boas e de qualidade sem ter a tal AF (alvará de funcionamento da Anvisa)...

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  3. Oi Marcus,

    Muito interessante seu blog. Paraabéns!
    Tenho interesse em saber preços do seus produtos+frete para envio para Salvador.
    Meu e-mail: cris.teixeira1@hotmail.com

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