SABÃO, ARTE E FILOSOFIA

quarta-feira, 11 de abril de 2012

CAPÍTULO III

Capítulo III

Características comerciais dos sabões, tipos e cargas

3.1 – Apresentação

Os sabões são encontrados no mercado de inúmeras formas e as mais comuns são; barras cortadas em medidas cômodas para uso geral, pasta para limpeza de louças e talheres acondicionada em embalagem própria, líquido para fins determinados (sabonete líquido perfumado p. ex.), pó ou micro granulado comumente utilizado para lavagem de roupas ou pisos (não confundi-lo com o detergente em pó), costumam aparecer nas prateleiras de venda com estampas e diversas formas, ainda com belos desenhos e coloridos de várias cores, muito perfumados são conhecidos como sabonetes de toucador, usados, inclusive, para decoração e artesanato decorando e perfumando ambientes, cremosos para barbear, pastas espumosas e mentoladas em tubos utilizados como creme dental, esterificados para alguns tipos de xampus para cabelos. Existem ainda determinados tipos com finalidades especiais que excederiam o objetivo desta apresentação, um exemplo seria o sabão de lítio, utilizado como graxa lubrificante para componentes mecânicos.

3.2 – Finalidades:

Obviamente a principal é a higiene sendo, ainda, o sabão, usado com fins medicinais servindo de veículo para determinados tipos de drogas, na indústria têxtil para preparação de tecidos que receberão mordentes químicos e posterior tingimento, para remoção de algumas tintas e colas e, também, a fabricação de tintas e colas, desinfecção ambiental, principalmente hospitais e logradouros públicos, tem finalidades plastificantes e adesivas em produtos agrodefensivos, devendo-se, ainda, salientar que o sabão tem larga ação germicida.

3.3 – Evidências comuns:

A que melhor se destaca é a detergência, provoca ou ajuda a formação de emulsões, normalmente espuma em presença de água e atrito. Não é esse, entretanto, um fator obrigatório, existem muitos tipos de sabão que não espumam, na água hidrolisa facilmente, no aspecto se mostra de acordo com a forma apresentada ou seja, sólido, líquido, pastoso, etc.., geralmente é gelatinoso e pegajoso em qualquer forma e por mais isento de água que esteja, ao tato se demonstra úmido, mesmo que completamente seco, isso se deve ao fato deste ser higroscópico (absorve água da atmosfera ambiente), na verdade, ele até aumenta de peso quando muito exposto ao ar e apresenta na superfície a umidade absorvida, denominada erroneamente de “suor” do sabão, pois este não “sua” de dentro para fora, absorve porém, de fora para dentro a água que se observa na sua superfície.

3.4 – Reação industrial e maturação:

Vários processos são utilizados para a fabricação dos sabões. Descreveremos os mais utilizados sem, no entanto, aprofundar o tema, sendo este abordado em capítulo próprio com maior ênfase.

3.4.a Processados a frio:

É fabricado pelo sistema de empaste e misturas de lixívias fortes a frio (temperatura ambiente), reagindo, portanto, exotermicamente (reação que produz calor espontaneamente), atinge um pico de temperatura e volta, então, a esfriar.

Esse sabão é fabricado em pequenos volumes, sendo, por esse motivo, trabalhado em pouco tempo (horas ou mesmo minutos), armazenados em lotes e aguardam finalização da reação, onde se observa algum movimento do material, rachaduras, encolhimento, “suor” superficial (gotas de água e glicerina) gelatinização, enfim, a maturação é o tempo em que se observa a ocorrência da acomodação molecular do produto recém-formado.

3.4.b – Precipitação a quente:

O sabão é produzido com vapor sempre indireto (nos dias atuais não se tem conhecimento de quem produz com vapor direto, o que seria até contra-senso), a reação pode ser de empaste, de grão, de semigrão, sob pressão ou processo contínuo.

Reação de empaste: - É o mesmo processo descrito para a saponificação a frio. A utilização do calor tem o objetivo de catalisar a reação com o intuito, exclusivo, de acelerar o processo.

Preparação em grão: - O produto é aquecido em grandes quantidades em caldeiras próprias com lixívias fracas e sucessivas até a formação de uma emulsão, a qual fica sob agitação constante e contínua durante horas e mesmo dias. Quando essa massa toma “o ponto”, passa-se cuidadosamente a lavagem com soluções salinas (processo conhecido por salinização). Esse procedimento separa o material em duas partes distintas; uma, o grão, sabão tecnicamente puro, flutua sobre a outra, a sublixívia, a água com sal, excesso de soda e glicerina que deverá ser, posteriormente, separada.

Esse tipo de fabricação está praticamente em desuso, por ser, extremamente antieconômico, atualmente.

Processo de semigrão: - É uma versão do anterior, apenas que contém algumas gorduras de empaste, é produzido com lixívias fortes e sofre a lavagem (salinização) na fase de pré-formação (pasta em franco intumescimento).

Processo contínuo: - Fabricação, desdobramento, acabamento e embalagem em um único processo totalmente automatizado. É o mais usado atualmente e com muitas variações mecânicas e procedimentais.

3.5 – Cargas como, quando, onde...

A utilização de cargas na fabricação do sabão tem como finalidade principal abaixar os custos. Há, entretanto, conseqüências com tendências mais negativas do que positivas nesta prática. O que nos leva a um julgamento de maior profundidade e muito criterioso antes de optar por essa atitude “econômica”. Pois, muitas das vezes, a aparente vantagem não passa de um engodo para o consumidor e mesmo para o produtor, conduzindo o último a prejuízos, as vezes, de difícil reparação, a imagem de mercado por exemplo.

3.5.a – Comentários às cargas:

Água: - De longe, o mais interessante, seria desnecessário dizer que é porque é a mais barata das cargas possíveis de aplicação. No entanto, essa carga vem atrelada a tanta dificuldade, operações e “truques” que se é obrigado a fazer para manter determinados volumes desta no produto que a aparente vantagem pode se transformar num “pesadelo” que assusta, inclusive, o consumidor.

Sal: - Na escala de preços baixos, é ainda, um dos “campeões”, não deixa de ser, entretanto, “campeão” de causar “dores de cabeça”, são muito restritos os sabões que aceitam grandes quantidades deste. Sabe-se, no entanto, que o sabão de coco, por exemplo, suporta até (6) seis vezes o seu volume em água de salmoura ao ponto de saturação (água com 24% de sal dissolvido), isso seria um milagre se o produto não ficasse uma “indecência” comercial, pois a qualidade final seria medíocre. È, extremamente, trabalhoso produzi-lo, verdadeira obra de “artista”, existem, porém, produtores que vêem vantagem nisso. Mas, é claro, que o mercado consumidor atingido deve ser pouco ou nada exigente.

Açúcar: - Tem grande interesse quando se pretende obter transparência no sabão produzido. Retém muita água, porém, como o sal, estimula a “sudação”1, produz, também, o contato “melado” grudando nas mãos quando segurado e, quando seca a água superficial, ficam os cristais de açúcar agindo como “lixa” ao ser, o sabão, esfregado na pele.

Cloreto de potássio: - Utilizado para encorpar os produtos em pasta. Também retém água e diminui a eficiência do sabão.

Silicato de sódio: - Se utilizado com muita moderação (muita mesmo), na fabricação, o sabão melhora sensivelmente em alguns aspectos, o produto fica com brilho suave e agradável, aumenta a plasticidade no processamento mecanizado, operando, assim, com melhor rendimento produtivo, acentua o poder de detergência, é, também, um ótimo conservante e fungicida o que otimiza o tempo de estocagem do produto aumentando, por outro lado, o tempo de vida útil deste. As proporções recomendadas devem situar-se entre 1% e 5%, acima desses índices o silicato começa a ser depreciativo, apresenta, a partir daí, efeitos colaterais como a conhecida “barba”, que é resultado da cristalização lenta em forma de agulhas em volta do produto, passa a irritar a pele com o uso, entre outros inconvenientes.

Talco: - Tem baixo custo, porém, torna o sabão abrasivo e muito pesado, prejudicando o visual do produto acabado e danificando os equipamentos na produção. Na verdade, as desvantagens são bem maiores que as poucas aparentes vantagens.

Amido: - De milho ou mandioca, bem refinado, é bastante interessante para ser utilizado como carga na fabricação do sabão. Retém quantidades apreciáveis de água e, se bem dosado, melhora consideravelmente a aparência, o rendimento no uso e torna o material mais mecanizável na produção pela plasticidade ampliada (conseqüência da gelatinização quase seca com o sabão). Recomenda-se apenas que, na inserção do amido ao sabão, se tenha muita cautela, pois, se mal colocado, simplesmente estraga a partida inteira formando grumos duros impossíveis de serem desmanchados e o sabão parecerá ter sido feito com pedriscos. A melhor forma de dissolver o amido será no óleo ou gordura em temperatura moderadamente quente (suficiente para por o dedo sem queimar), este deve ser colocado completamente seco aos poucos e com batimento contínuo até formar uma espécie de “mingau” bem homogêneo e sem grumos, processa-se, então, a neutralização como se nem existisse o amido no produto. Outra recomendação é que a quantidade seja baixa e a temperatura tenha controle, pois o amido, facilmente carboniza ficando escuro. Na ocorrência de carbonização e escurecimento não excessivamente grave, depois de pronto o sabão, é possível corrigi-lo com peróxido de hidrogênio1 de 130 volumes na proporção de 0,5% da massa total.

Com os comentários acima, fica evidente entender a necessidade de muita ponderação na hora de optar por uma carga, ainda que se pretenda melhorar o produto e não baixar custos.

Os aditivos farmacêuticos ou com outras finalidades devem, sem exceção, serem previamente estudados caso a caso e, na eventual utilização, fazer partidas empíricas para diversos testes antes de por tudo a perder por falta de cuidados.

3.6 – Principais tipos de sabão:

Os tipos de sabão podem ser classificados em (6) seis grupos fundamentais, conforme abaixo:

1. Sólidos em barras, material compactado em pedaços firmes e, aparentemente secos, cortados, trafilados, estampados, coloridos e perfumados. Nessa categoria estão os sabonetes de toucador. Há, ainda, a apresentação industrial do material em lascas ou “nudo”, para serem tratados e transformados em sabonetes, normalmente por indústrias fornecem mão de obra de acabamento, mas não produzem o sabão a partir dos graxos e bases.

2. Pó de sabão, material aparentemente seco, solto e volumoso (quando de boa qualidade). Forma pequenos grumos macios mais ou menos esféricos, recebendo, por esse aspecto, o nome peculiar de “microperolado”. Os produtos, verdadeiramente em pó, estão praticamente desaparecidos do mercado, mesmo o sabão, está quase totalmente substituído pelos detergentes, sendo estes, mais eficientes para o uso geral, e são produzidos com mais facilidade e em grande quantidade.

3. Pasta de sabão, aparência gelatinosa, quase sempre transparente, acondicionado em recipientes plásticos fechados, tato pegajoso. São, ainda, costumeiramente coloridos e perfumados, seu uso é restrito à limpeza de louças, talheres e pequenas superfícies.

4. Líquidos, comumente utilizados como sabonete na limpeza das mãos em locais públicos (banheiros), como hospitais, cinemas, restaurantes, etc.., acondicionados em frascos plásticos para uso direto ou latas para transferência a recipientes próprios para lavatórios. São, normalmente, coloridos e perfumados.

5. Cremosos ou espumosos, pasta de alta concentração, perfumada ou ainda, mentolada acrescida de aditivos anti-sépticos ou abrasivos, podendo, sua produção, ser dirigida para dentifrícios ou, de outro modo, para cremes de barbear, sendo, normalmente, acondicionada em tubos de compressão manual.

6. Lubrificantes, plastificantes para inseticidas, veículo para produtos químicos ou farmacêutico, são alguns tipos de sabão produzidos. Entretanto, fogem ao objetivo desse estudo.



1 – Ver 3.3 neste cap. –

1 – água oxigenada –

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Um comentário:

  1. Jurandy Rocha Vieira16 de abril de 2012 22:41

    Boa noite Marcus! Meu ome é Jurady, moro em Caedelo na Paraíba, faço sabonetes artesaais ( minha única fote de reda )gasto muito $$ comprado bases gliceriadas ( em SP R$4,50 e aqui por R$ 10,50 !!!!) Conheci o seu Blog à 2 dias e fiquei muito interessado em produzir minhas própias bases, mas o problema aqui é a difilculdade em encontrar os óleos vegetais. Me diga uma coisa o óleo de coco precisa ser refinado "extra virgem"? Este está muito caro, encontrei por R$ 37,00 o litro. Serve o bruto (de cor mais escura)?
    Te digo que na verdade estou muito entusiasmado com a possibilidade de produzir tudo aqui mesmo, pois os custos aqui no NE são exobitates e o frete cobrado também! Entre em cotato, preciso da sua orientação. Desde já muito grato. Email - jurandyy.rocha@hotmail.com

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